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sábado, 12 de janeiro de 2013

IMPACTOS AMBIENTAIS - HIDROANEL DE SÃO PAULO 2

O resultado de estudos recentemente realizados no âmbito do Programa de Recuperação das Áreas Degradadas e Monitoramento da Flora das Áreas de Reserva Legal dos Projetos de Irrigação da Usina Hidrelétrica de Itaparica, empreendimento da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco - CHESF oferece os parâmetros fitossociológicos que embasam a seleção das espécies nativas a serem utilizadas na recuperação das áreas degradadas da caatinga no semi-árido pernambucano e baiano. Os dados obtidos nesses estudos e levantamentos foram processados pelo Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semi-Árido – CPATSA/EMBRAPA, situado em Petrolina, através do Programa Mata Nativa, um sistema para análise fitossociológica. A seguir, estão enumeradas as principais conclusões:

1- Do total de 81 espécies identificadas, cerca de 34 são consideradas de hábito arbóreo, 13 de hábito arbustivo, 27 de hábito herbáceo e 7 espécies são trepadeiras.

Espécies Arbóreas Identificadas


Espécies Arbustivas Identificadas


Espécies Herbáceas Identificadas

Espécies Trepadeiras Identificadas

2- As espécies catingueira verdadeira, favela, pereiro, jurema preta, marmeleiro, jurema vermelha, catingueira rasteira, pinhão vermelho, maniçoba, mandacaru de boi, quebra-faca, baraúna, burra leiteira, jurema rama de boi, umburna de cambão e araticum apresentaram elevado número de indivíduos na fitofisionomia em foco.

3- As espécies catingueira verdadeira (15,03%), favela (2,96%), pereiro (8,55%), jurema preta (17,27%), marmeleiro (11,19%), jurema vermelha (8,39%), pinhão vermelho (2,64%), maniçoba (4,32%), mandacaru de boi (1,36%), quebra-faca (1,28%) e baraúna (1,20%), apresentaram a maior densidade relativa na área.

4- As espécies: catingueira verdadeira (9,05%), favela (7,73%), pereiro (7,28%), pinhão vermelho (3,75%), jurema preta (11,04%), marmeleiro (8,61%), jurema vermelha (9,05%), mandacaru de boi (3,31%), maniçoba (4,86%) e baraúna (2,87%) apresentaram freqüências elevadas em comparação com outras espécies identificadas.

6- Do total das espécies identificadas, destacaram-se: catingueira verdadeira (41), favela (18), pereiro (33), pinhão vermelho (17), jurema preta (50), marmeleiro (39), jurema vermelha (41), mandacaru de boi (11), maniçoba (22), baraúna (13), por serem aquelas observadas em maior número no conjunto das unidades amostrais estudadas.

7- As espécies: catingueira verdadeira (0,0,582 m²/ha), favela (0,678 m²/ha), pereiro (0,340 m²/ha), jurema preta (0,485 m²/ha), marmeleiro (0,104 m²/ha), catingueira rasteira (0,115 m²/ha), pinhão vermelho (0,017 m²/ha), jurema vermelha (0,129 m²/ha), umburana de cambão (1,384 m²/ha), baraúna (0,402 m²/ha) e mandacaru de boi (0,202 m²/ha), apresentaram elevada dominância absoluta.

10- As espécies catingueira verdadeira (24,43), pereiro (14,05), favela (17,60), jurema preta (25,11), umburana de cambão (25,33), marmeleiro (12,88), pinhão vermelho (2,91), jurema vermelha (10,48), mandacaru de boi (4,63) e catingueira rasteira (12,88), apresentaram o maior valor de cobertura dentro da fitofisionomia estudada.

11- As espécies: catingueira verdadeira (33,48), favela (25,32), pereiro (21,34), jurema preta (36,15), marmeleiro (21,49), pinhão vermelho (6,67), jurema vermelha (19,53), umburana de cambão (29,30), baraúna (10,56), mandacaru de boi (7,94), maniçoba (9,85), umbuzeiro (1,76) e catingueira rasteira (12,92), apresentaram o maior valor de importância, dentre as espécies estudadas.

12- O Valor de Importância Ampliado – VIA, indica que as espécies catingueira verdadeira (56,21), favela (34,45), pereiro (35,23), marmeleiro (50,98), jurema preta (65,05), pinhão vermelho (12,20), jurema vermelha (31,41), umburana de cambão (33,91), maniçoba (15,41), mandacaru de boi (9,12), baraúna (11,50), umbuzeiro (2,33), destacam-se desenvolvendo um bom potencial de regeneração.

13- O Índice de Diversidade de Shannon-Weaver (H’) aponta o número de 2,74 nativas/ind, o que é considerado muito bom, quando comparado com outras áreas do Bioma Caatinga.

14- O Índice de Uniformidade de Pielou (J) expressa que valores muito próximos de 1 indicam diversidade máxima, significando que as espécies avaliadas são igualmente abundantes na tipologia. O neste estudo o resultado geral obtido foi de 0,77.

15- Os dados do parâmetro Regeneração Natural em porcentagem indicam que as espécies: pereiro (3,14%), marmeleiro (21,74%), pinhão vermelho (4,37%), moleque duro (6,63%), maniçoba (2,43%), carquejo (7,85%), jurema vermelha (3,92%), jurema preta (10,11%), catingueira rasteira (6,36%), mororó (3,26%), umburana de cambão (2,70%) e velame (3,05%), foram as melhores situadas nesta avaliação.

16- As espécies: catingueira verdadeira (15,94), pereiro (9,01), marmeleiro (11,56), favela (5,60), pinhão vermelho (2,37), maniçoba (4,72), jurema vermelha (9,09), catingueira rasteira (5,70), jurema preta (18,63) e jurema rama de boi (2,37), apresentam os valores mais representativos evidenciando a maior importância ecológica dessas espécies dentro da cobertura vegetal analisada.

17- Quanto a Regeneração Natural Relativa - RNR, as espécies marmeleiro (21,74), quebra-faca (7,55), pinhão vermelho (4,37), catingueira verdadeira (6,36), pereiro (3,14), moleque duro (6,63), jurema vermelha (3,92), jurema preta (10,11) e carquejo (9,85), apresentaram os mais expressivos valores.

18- Quanto a Estrutura Diamétrica Geral as espécies: catingueira verdadeira (6,0712), pereiro (3,0994), umburana de cambão (17,8133), favela (10,3839), umbuzeiro (0,8480), aroeira (1,2120), angico de caroço (3,2890), facheiro (0,8280), imbiruçu (0,2745) e burra leiteira (3,2912), jurema preta (4,8232), jurema vermelha (1,2967), joazeiro (3,2181), quixabeira (8,6307) e baraúna (8,7334), apresentaram os valores mais representativos.

Com base nos estudos e levantamentos efetuados, conclui-se que as espécies nativas que deverão ser preferencialmente escolhidas, objetivando a sua utilização em projetos de recuperação de áreas degradadas na caatinga, são aquelas relacionadas a seguir.


Relação das espécies selecionadas para a produção de mudas

domingo, 23 de outubro de 2011

AÇUDE ENGENHEIRO ARCOVERDE: IMPACTOS AMBIENTAIS NO MUNICÍPIO DE CONDADO - PB

Gisleuza Formiga Soares, Alan Dél Carlos Gomes Chaves, Renato Bozanio Rodrigues, José Pereira de Araújo.

O Perímetro Irrigado Engenheiro Arcoverde localiza-se no município de Condado, no sertão paraibano e teve suas operações iniciadas na década de 1970. O referido perímetro encontra-se sob a jurisdição do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. Seu desenvolvimento ocorreu de forma generalizada, sem, contudo, priorizar às diversidades e especificidades culturais da localidade. No inicio de suas atividades, o Perímetro Irrigado Engenheiro Arcoverde contava com uma equipe multidisciplinar (engenheiros agrônomos, veterinários, assistentes sociais, técnicos agrícolas, pessoal de apoio), além do apoio logístico, que, atuava na prestação de assistência técnica diretamente aos irrigantes, na capacitação de técnicos e irrigantes para absorção e emprego de tecnologias para agricultura irrigada. No entanto, com a mudança da política do governo central, essa assistência técnica foi drasticamente reduzida e o Perímetro Irrigado Engenheiro Arcoverde foi perdendo importância e começou a sentir os primeiros problemas relacionados aos impactos ambientais. O presente trabalho, tem por objetivo avaliar os impactos ambientais nas adjacências do Açude Engenheiro Arcoverde, no município de Condado.

Texto Completo: PDF

 FONTE; INFORMATIVO TÉCNICO DO SEMI-ÁRIDO, Vol. 3, No 1 (2009)

sábado, 1 de outubro de 2011

Somos parte do Meio Ambiente



16/04/2009 - Cienciaonline.org

Somos mais parte do meio ambiente do que vocês podem imaginar. Querem ver? Tenho certeza que não haviam pensado no que vou contar...Acomodados? Então vamos a mais uma estória...

O nosso corpo é uma associação de moléculas, formadas elas próprias de agrupamentos de átomos.

Os átomos são partículas minúsculas governadas por forças específicas. Eles entram no nosso organismo pela respiração e pelos alimentos, renovam incessantemente os tecidos, são substituídos por outros, e quando eliminados, vão pertencer a outros corpos.

Alguns cientistas e pesquisadores acreditam que, em cerca de três meses o corpo humano é totalmente renovado, e nem no sangue, nem nos músculos, nem no cérebro, nem nos ossos resta mais uma única célula que constituía o todo 90 dias antes.

Por intermédio da atmosfera, principalmente, os átomos viajam sem cessar de um para outro corpo. A molécula de ferro é sempre a mesma, quer esteja incorporada ao sangue que pulsa sob a têmpora de um homem ilustre ou pertença a um vil fragmento enferrujado. A molécula de oxigênio é idêntica, quer preencha os pulmões de um recém-nascido, ou reunida ao hidrogênio, projete sua flama em uma vela de aniversário, ou ainda, caia em gota de água do alto das nuvens.

Os corpos vivos atualmente são formados da cinza dos mortos, de fragmentos de meteoros e até mesmo de estrelas e dinossauros. E, durante a vida mesmo, numerosas mudanças ocorrem entre homens, animais, plantas e qualquer outra coisa que esteja em nossa atmosfera, inclusive lixo e poluição. Estas trocas causariam grande espanto se pudéssemos enxergá-las.

Tudo o que você respira, come ou bebe, já foi respirado, bebido ou comido milhares de vezes. Tal é o corpo: um complexo de moléculas que se renovam constantemente! Convencido agora de que você faz parte da Natureza assim como todas as outras coisas do Planeta e do Universo? Por isso, é bom cuidar dele direitinho porque assim você estará cuidando de si mesmo.

Artigo do mês de março de 2002 da Revista de Ciência On-line: http://www.cienciaonline.org/

Fonte do texto:
http://an.locaweb.com.br/Webindependente/ciencia/unidades.htm


domingo, 25 de setembro de 2011


 

O culto e o cultivo da criação

Reflexões sobre a vida, a fé, a ecologia, a terra e a água para crianças, adolescentes e lideranças.


Estamos retornando a terra para resgatar nossa vida, descobrir nossa dignidade e nossa complexa relação com todos os seres vivos. A sacralidade da terra nasce da nossa afirmação de fé, de que a natureza é dom de Deus, é mãe, fonte de todas as formas de vida. Esta consciência deve nos levar a agir com respeito e reverência pela terra, que na Amazônia é mais água e terra molhada da várzea. Ações coordenadas, diversificada, em unidade, trabalhando em conjunto com todas as igrejas. Nossas ações em relação à sacralidade da terra deve brotar da vida dos povos que habitaram por séculos nestes rios e florestas, suas tradições e práticas.

O texto de Gn 1. 27-31, nos fala da criação do ser humano o poder e o dever que Deus deu a este ser, ou seja, cuidar, zelar, cultivar e dominar toda a criação. Vivendo em harmonia com a perfeita ação criadora. Bem sabemos que o ser humano não cumpriu com seu dever e fez de seu direito uma devastação e destruição da natureza, que foi criada para receber, proteger e alimentar o ser humano.

A natureza gera riquezas à comunidade. É preciso explora-la, mas sem danificar. No contato com a perfeita criação de Deus o ar puro deve entrar em nossos pulmões para sentirmos este sopro de vida limpo, puro, com um perfume que nos embriaga de prazer, invadindo nosso ser. Quando em contato com a terra e a água, crianças e adolescentes parecem pequenas brasas que unidas umas às outras flamejavam com a potencialidade da natureza. Fazem do seu corpo uma extensão da natureza. Podemos perceber o regozijo da criatura em contato direto com a criação de Deus. Como é perfeita a natureza, como é bonito o que Deus fez. Toda essa beleza nos leva a assumir um compromisso: Fazer com que o culto à natureza nos oriente para o bom cultivo das belas riquezas naturais que temos iniciando com a conscientização dos que ainda estão abertos para o novo.

Nossas comunidades de fé podem desencadear um conjunto de ações para proteger o meio ambiente. Nossas ações precisam atingir primeiramente as mentes e os corações, pois sem amor e afeto não será possível cuidar da terra. Uma nova mentalidade de relação com a natureza pode nascer de processos educativos que geram consciência e ações coletivas e individuais. Nossas comunidades religiosas vivem nos ritmos da vida de Deus presente na história e nas etapas da vida humana (nascimento, morte e ressurreição). A vida humana também se move junto com a natureza. Rememorar, celebrar esta relação intima com a terra em tempos específicos, em nossas igrejas, faz parte do conjunto de ações para proteger a Amazônia.

Estamos em um tempo de democracia, mas é uma democracia de luta pela preservação através da conscientização. É o tempo no qual crianças, jovens, adultos e todas as autoridades eclesiais, cientificas e políticas são protagonistas coletivos no cuidado, no culto e cultivo da criação. Para sermos protagonistas precisamos conhecer e refletir sobre esse conhecimento.

Nos propomos ousadamente à ressignificação dos termos dominar e sujeitar de Gn 1.26-29. O termo dominar foi entendido no mesmo sentido em que dominamos uma língua, ou, conhecemos uma terra, e o termo sujeitar no sentido de tornar a terra sujeito e não um objeto do ser humano. A terra e o ser humano como criação divina. Essa nova compreensão dos termos implica nossa responsabilidade de conhecer a terra, sinônimo de vida, e recriar o mundo corrompido pelo próprio ser humano, de modo que o cultivo da criação seja um diálogo entre dois sujeitos: os seres humanos e a natureza.

Nossas ações devem partir da realidade local, elaborando material educativo que estimule nossas igrejas a refletir e agir em favor da proteção ambiental. Os vários setores da sociedade local precisam ser envolvidos e atingidos pelas campanhas, usando dos meios de comunicação de massa. É no tecer das palavras que surge o compromisso de todos e todas para fazer o que é mais conveniente.

Um dos temas geradores pode ser o de recriar espaços. Para recriar o espaço é necessário recriar o “sentimento de pertencimento” que está ligado ao passado de cada um e dar esperanças para o futuro. Um passado que lhes concedeu uma base para a construção permanente de sua identidade, relembrado em cada pé de flor, em cada pé de árvore ou banho de rio. Não importa o que simbolize este passado, importa que essas coisas externas lhes devolvam o sentimento de pertencer a algum lugar. Recriar o sentimento de pertencimento é necessário para restaurar a possibilidade do cuidado com a natureza, com a vida familiar e comunitária para assim revitalizar os valores, as concepções e a responsabilidade de cada um com a bela criação divina.

Há a esperanças de que o ser humano seja valorizado e respeitado pelo que ele é. E este respeito virá pela qualidade da semente que semeia, para si e para o próximo. Esta semente recheada de conhecimento e amor prenuncia uma colheita de frutos recheados de carinho, respeito e amor pelo seu semelhante, pela criação e seu criador.

Nós, como representantes de entidades religiosas sabemos de nossas limitações, pois, muitas vezes, queremos levar Deus e Deus já está lá; queremos transformar o mundo e as mentes por nossa própria força e isso não depende de nós; queremos ver os frutos imediatos e por ironia os frutos não amadurecem do dia para a noite; queremos dar lições e recebemos lições; queremos tirar a dor e o sofrimento causados pelos conflitos e esquecemos que eles fazem parte da caminhada. Afinal, para haver ressurreição, houve antes a cruz.

Enfim, nos perguntamos sobre a nossa real função ou missão nessa caminhada de preservação do meio ambiente, mas a resposta não está em nós. O Espírito Santo nos responde dizendo: “A vossa missão não é apenas fazer celebrações, palestras e folhetos educativos, mas também estar junto com o povo e o governo, pondo as mãos na terra e na água e não apenas nos livros e microfones. Sim, devemos celebrar o culto e o cultivo da criação tendo contato direto com toda a criação divina”. Celebrarmos juntos a vida conversando, ouvindo, sorrindo, abraçando, dançando, brincando, cantando, orando, partilhando, alegrias e tristezas. Essa celebração é a festa da vida. Uma festa que contempla a concretude da vida; a vida como um culto a Deus, a vida como um todo, a vida como ela é. Sofrimento e ódio, glória e amor, luta e esperança.

Nossas ações devem ser globalizadas, compreendendo as interconecções tanto na perspectiva ecológica, como sócio-econômica. A Amazônia é parte tanto da cadeia de vida do planeta como parte dos grandes interesses econômicos atuais. Cabe as nações do mundo, principalmente aquelas que não assinaram ou não implementaram adequadamente os compromissos internacionais de proteção ambiental, de fazerem sua parte nos projetos de sustentabilidade, reciclagem, redução da poluição, de relembrar nossa história de relação com a terra.

O povo espera que lancemos uma nova semente. Uma semente que transforme a terra improdutiva em alimento precioso, água poluída em fonte de vida. Uma semente que transforme a própria vida em sementes de esperança. Sementes lançadas no corpo e na alma, para que nos desafiem a cultivar e, finalmente, celebrar a colheita farta que virá. Sementes de fé e de vida que lembrem que a luta continua, a reflexão continua.

Compreensão Sobre a Vida no Planeta

Como religiosos e religiosas de diversas religiões e Igreja Cristãs, fundamos nossa compreensão sobre a vida no planeta numa mirada Teológica, cosmocêntrica, humanitária e macro ecumênica.

Afirmamos que a terra é sagrada e professamos, que tudo o que nela respira e subsiste, tem o sinal original e divino do Deus Criador, Salvador e Vivificador.

Afirmamos que a terra é sagrada e nos colocamos diante dela com reverencia, admiração e respeito, recebendo dela o alimento essencial para a subsistência e evolução da vida.

Afirmamos que a terra é sagrada e, por isso é nossa missão continuar criando-a, num exercício cósmico e cotidiano, como de um artista, com o objetivo de representa-la aperfeiçoando-a e não de explora-la e destruí-la.

Afirmamos que a terra é sagrada e por isso combatemos com veemência a falsa ideologia religiosa, políticas, econômicas, que defendem, que "os recursos naturais são limitados e que nunca irão se acabar".

Afirmamos que a terra é sagrada e, por isso denunciamos profeticamente, toda forma de violação, mercantilização e extinção, de todas e qualquer foram de espécies animais, e vegetais ou minerais existentes. Afirmamos que a terra é sagrada quando sabemos dela cuidar, decidimos ter com ela uma relação fraternal de amor e afeto, nos colocando a serviço de toda a criação, como verdadeiros pedagogos, que ensinam e aprendem a sublime e exata forma comunicação interativa e de convivência pacifista.

Afirmamos que a terra é sagrada quando sentimos com ela suas dores e sofrimentos, alegrias e realizações, sonhos e utopias, como um irmão e amigo sente, choram e se alegra com o outro.

Afirmamos que a terra é sagrada ao defende-la do inimigo predador que atua sem piedade, transformando-a em objeto de satisfação egoísta e fonte de lucro pelo lucro.

Afirmamos que a terra é sagrada quando fazermos uma verdadeira aliança assumindo os erros do passado e nos comprometemos com a defasa da justiça e do direito, no presente e no futuro.

Afirmamos que a terra é sagrada, quando lutamos e apoiamos ações humanistas e libertárias, que dão razões viáveis de nossa fé, de nossa esperança e de nosso amor. Principalmente de nosso amor, porque ele permanece para sempre, dele dependemos e nele movemos e somos.

Por fim, afirmamos que a terra é sagrada, quando temos consciência e sabedoria, capazes de olhar e sentir o pulsar da vida verdadeira, que se releva e irrompe na beleza e exuberância das águas, do toque artístico enverdecido das florestas, nas melodias e encantadoras da passarada, nas vigilâncias ecóicas dos principais guardiões e guardiãs da criação: os povos das florestas e seus fieis descendentes e seguidores.

A alternativa que propomos é esta: esforçar para viver aquilo que afirmamos. Precisamos antes de tudo, tomar cada dia mais consciência e trabalhar incansavelmente para formar novas e livres consciências, que compreendas as reais limitações e escassez de nosso planeta. Precisamos aprender a consumir exata e somente aquilo que nos é necessário, como nos ensinou Jesus Cristo em sua oração: “pai nosso... dá-nos o pão cotidiano” que precisamos para viver com dignidade e “livra-nos do tentador” que nos seduz ao excesso e ao acúmulo.

Pe. Ricardo Castro
Cat. Traudi Margarida Kraemer
ulo Sérgio

sábado, 24 de setembro de 2011

PLANETA PERDEU 30% DE RECURSOS NATURAIS

Em menos de 40 anos, o mundo perdeu 30% de sua biodiversidade. Nos países tropicais, contudo, a queda foi muito maior: atingiu 60% da fauna e flora original. Os dados são do Relatório Planeta Vivo 2010, publicado a cada dois anos pela organização não governamental WWF.
O relatório, cujas conclusões são consideradas alarmantes pelos ambientalistas, é produzido em parceria com a Sociedade Zoológica de Londres (ZSL, na sigla em inglês) e Global Footprint Network (GFN).
'Os países pobres, frequentemente tropicais, estão perdendo biodiversidade a uma velocidade muito alta', afirmou Jim Leape, diretor-geral da WWF Global. 'Enquanto isso, o mundo desenvolvido vive em um falso paraíso, movido a consumo excessivo e altas emissões de carbono.'
A biodiversidade é medida pelo Índice Planeta Vivo (IPV), que estuda a saúde de quase 8 mil populações de mais de 2,5 mil espécies desde 1970.
Até 2005, o IPV das áreas temperadas havia subido 6% - melhora atribuída à maior conservação da natureza, menor emissão de poluentes e melhor controle dos resíduos. Nas áreas tropicais, porém, o IPV caiu 60%. A maior queda foi nas populações de água doce: 70% das espécies desapareceram.
Consumo desenfreado. A demanda por recursos naturais também aumentou. Nas últimas cinco décadas, as emissões de carbono cresceram 11 vezes.
O relatório afirma que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada por 33 países em geral desenvolvidos, são responsáveis por 40% da pegada de carbono global, e emitem cinco vezes mais carbono do que os países mais pobres.
Comparados a ela, os BRICs (grupo formado pelos países emergentes Brasil, Rússia, Índia e China) têm o dobro da população e uma menor emissão de carbono per capita. O problema, alerta o relatório, é se os BRICs seguirem no futuro o mesmo padrão de desenvolvimento e consumo da OCDE.
Índia e China, por exemplo, consomem duas vezes mais recursos naturais do que a natureza de seu território pode repor. Atualmente, os países utilizam, em média, 50% mais recursos naturais que o planeta pode suportar. Se os hábitos de consumo não mudarem, alerta o relatório, em 2030 se estará consumindo o equivalente a dois planetas.
Em resposta ao levantamento de 2008, a WWF elaborou um modelo de soluções climáticas, em que aponta seis ações concretas para reduzir as emissões de carbono e evitar maiores perdas de biodiversidade.
Entre elas, a organização aponta a necessidade de investir em eficiência energética, novas tecnologias para gerar energia com baixa emissão de carbono, adotar a política de redução da pegada de carbono e impedir a degradação florestal.


Dida Sampaio 
Estadao. Atualizado: 13/10/2010.

APLICATIVO AJUDA A MONITORAR A DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA EM DIVERSAS PARTES DO PLANETA

A falta de acesso a água potável em locais como o África subsaariana já se tornou uma questão conhecida e combatida por governos e ONGs de todo o planeta. E uma das ferramentas mais utilizadas para garantir o acesso à água nessas comunidades é o poço. O problema, segundo o CEO da Water for People, Ned Breslin, é que atualmente até 60% desses equipamentos encontram-se quebrados ou disfuncionais.
Ele conta que depois que os poços são construídos, a população faz festas e celebra a novidade e os doadores ficam felizes e orgulhosos de sua boa ação. O problema vem depois, quando a falta de manutenção faz com que o equipamento se transforme em uma ruína em pouco tempo.
Para ajudar a acabar com esse cenário, a organização criou o Flow – um aplicativo que ajudar a identificar e divulgar esses locais e garantir que os poços sejam consertados no mínimo de tempo possível. Com ele, é possível que qualquer pessoa tire uma foto de um poço e publique a informação no Google Earth e Google Maps para que qualquer um veja a situação local.
Assim, membros da comunidade, empresários, professores, parceiros, funcionários, voluntários ou qualquer cidadão disposto a colaborar podem recolher dados com um celular com Android e compartilha-lo com o resto do mundo.
Segundo Breslin, a iniciativa é fundamental para que os poços não apenas existam, mas seja úteis e funcionais por muitos anos. "Eu quero saber que ainda estamos fornecendo água não só um ano a partir de hoje, mas daqui a 10 anos", disse em entrevista a Reuters.
Novo modelo de filantropia
A tecnologia também pode ser utilizada por postos de saúde rurais para informar sobre as doenças que estão atingindo a população local, quais os medicamentos e materiais necessários, ou quantos nascimentos ocorreram em um determinado período. Ela ainda pode ajudar os agricultores a avaliar melhor os mercados agrícolas e saber, por exemplo, qual o valor de venda dos grãos naquele dia.
E isso não é à toa. Para Breslin, um novo modelo de filantropia está surgindo com os novos aparatos tecnológicos e mostrando que é possível unir o planeta em prol de grandes causas com o uso de plataformas como o Flow. "Nós divulgamos a pobreza e logo depois esquecemos daquela comunidade. E eu quero incentivá-las para que tenham água [e outros bens] para sempre", completou.